Point of no return

Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Importante: Amazônia

(Jávier Godinho - O Farol nº 114 - Maio/2004 - FE 04/09/2004)

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Temos escrito muito, nos últimos anos, sobre a Amazônia, que representa 61% do território brasileiro e que já está cercada por 20 bases dos Estados Unidos e tem, no seu interior, mais de 500 ONGs (organizações não governamentais), a maioria delas estrangeiras, norte-americanas e européias. Todos estes dados já deviam ser de conhecimento da opinião pública, porque representantes os mais conceituados de nossas Forças Armadas não cansam de ratificar sua autenticidade, advertindo para o perigo que representam para a integridade física deste País.
A cobiça internacional se debruça sobre a mais rica e inexplorada região do Planeta. As nações do Primeiro Mundo já exauriram na irresponsabilidade predatória suas reservas naturais e partem agora, com apetite insaciável, para se apossar da maior parte do Brasil. Uma das marcas do século 21 será esse avanço solerte e injusto, a não ser que nos organizemos para a resistência determinada.
A reserva Raposa-Serra do Sol está sai não sai, nos papéis sobre a mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cuidado com ela! A criação de mais esse descomunal chão indígena - 1,7 milhão de hectares para 15 mil silvícolas de cinco etnias - é altamente lesiva ao Brasil. Seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, embromou na solução e lhe passou o abacaxi.
Fernando Collor de Melo e FHC se rivalizaram na formação de imensas reservas indígenas na fronteira amazônica, submissos às pressões de grupos econômicos europeus e norte-americanos. A reserva Ionomâni é um desses escândalos, patrocinado pelo primeiro. Para 12 mil índios semi-nômades, estão destinadas terras cinco vezes maiores do que as do Estado de Sergipe. Projetada inicialmente com 2,4 milhões de hectares, foi ampliada para cinco milhões de hectares e, finalmente, para 9,4 milhões de hectares, isto depois que o Projeto Radam Brasil detectou ali reservas milionárias de ouro, estanho, nióbio, minérios radioativos e outras riquezas no subsolo. Em 1998, FHC, historicamente o mais entreguista dos nossos presidentes, homologou cinco reservas indígenas em São Gabriel da Cachoeira, formando um polígono contínuo de 10,6 milhões de hectares, quase do tamanho de Cuba.
Em fevereiro último, publicamos no Diário da Manhã o artigo "A razão do lobo na Amazônia", denunciando essa realidade. O mesmo assunto foi matéria principal da revista IstoÉ, edição de 14 de abril: "Raposa da discórdia". Confirmando nossas informações, ali encontramos outros fatos informações igualmente importantes. Lá está, por exemplo, que FHC guardou sem assinar o decreto de criação da reserva Raposa-Serra do Sol por cinco anos. Lula o mantém igualmente engavetado, ante as advertências das Forças Armadas, que pretendem uma nova configuração para o projeto elaborado pela Funai, para preservar uma faixa de fronteira, que inclui a estratégica cidade de Uiramutã, sede do 6º Pelotão de Fronteira e áreas cultivadas de arroz. Os militares advertem que nenhum país do mundo concede soberania em fronteiras, a qualquer povo, indígena ou não. Por lá, o inimigo terá uma porta aberta para entrar facilmente.
Destaca a revista que a proliferação das ONGs estrangeiras na região amazônica preocupa não apenas militares mas também os estudiosos do problema. Em áreas de Roraima, chama a atenção a grande quantidade de europeus e norte-americanos que circulam sem embaraços por lugares onde brasileiros têm dificuldades para penetrar."O foco da atuação militar em defesa da soberania brasileira é hoje a gigantesca e esvaziada fronteira amazônica, com seus 11 mil quilômetros, fazendo limite com sete países.
Por estar desguarnecida, a fronteira tornou-se porta de entrada para narcotraficantes e garimpeiros de outros países, alvo fácil de guerrilheiros da Colômbia" - confirma a IstoÉ. No caso da reserva Raposa-Serra do Sol, do lado de lá da fronteira, fica a Guiana Inglesa. Pois a ONG britânica Survival International é quem mais batalha pela demarcação dentro da proposta original, de olho nas suas riquezas naturais.
O deputado federal Lindberg Farias (PT-RJ), da comissão da Câmara que avalia a tensa situação local, elaborou um relatório confirmando a procedência de todos os temores militares e dos especialistas em estratégia de defesa. Esse trabalho, ainda em debate naquela Casa, será entregue a Lula como um subsídio a mais para a decisão final. Sua proposta é de exclusão da reserva de uma faixa de 15 quilômetros na fronteira, onde possam permanecer índios e não-índios e onde as Forças Armadas, a Polícia Federal e a Receita Federal tenham condições de agir sem nenhum obstáculo.
Entristece-nos muito - às vezes até nos envergonha - saber que Goiás possui três representantes no Senado e 16 na Câmara dos Deputados. Nunca encontramos nos registros da imprensa nacional que qualquer um deles se interessasse por assunto de tamanha gravidade, quando muitos encontram tempo até para picuinhas paroquiais.
Jávier Godinho é jornalista do Diário da Manhã, Goiânia-GO.
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Fonte: http://www.farolbrasil.com.br/